sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Natal no comércio de Vitoria da Conquista

O comércio de Vitoria da Conquista vê no Natal um período especial e uma forma de estar mais próximo do consumidor, esperando lucrar mais e aumentar suas vendas. Promoções de todos os tipos atraem o consumidor às lojas, enfeites de Natal se misturam com os produtos nas prateleiras como forma de prender a atenção das pessoas que passam, fazendo um convite a entrar no estabelecimento comercial e comprar algum presente para si próprio ou para alguém querido.
A CDL da cidade criou o slogan “No comércio de Conquista, o Natal é 10!”. Já virou tradição, o comércio através da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) oferece aos clientes um mega sorteio com prêmios variados e em 2010 não podia ser diferente: dois automóveis e duas motos zero km são os prêmios do sorteio deste ano, prêmios estes que aguçam o ego e fazem parte do desejo de qualquer pessoa.
Contribuindo para o brilho da festa, o Governo Municipal, enfeita a praça principal e varias ruas, contrata atrações de renome nacional para alegrar ainda mais essa data. Festas variadas fazem parte do calendário natalino, shows e espetáculos culturais são apresentados em diversos locais da cidade para a felicidade da população.

Por: Dihêgo santana

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SEGURANÇA PÚBLICA: QUAL É A SOLUÇÃO?




Vitória da Conquista é uma cidade que tem aproximadamente 300 mil habitantes. Como toda cidade de grande e médio porte no Brasil, vive um dilema: a violência. A região de Vitória da conquista lidera um ranking nada agradável: o de campeã em mortes dolosas em todo o estado. Foram aproximadamente 5,5% de todos os casos registrados na Bahia, entre janeiro e maio deste ano. À violência são atribuídos vários fatores como: a falta de oportunidade (agravada por uma educação de baixo nível), ao número reduzido de policiais e a falta de preparo desses policiais e o grande vilão de tudo; as drogas. Muitos jovens sonham com dinheiro fácil e uma vida de “poder” e, recorrem, assim, à vida do crime. Mas no submundo do crime existe uma estrutura hierarquizada e uma grande quantidade de leis a serem seguidas. Existem grupos que comandam determinadas áreas e caso um grupo invada a área do outro é declarado, na maioria dos casos, guerra. A briga pela disputa do ponto de venda é intensa porque isso influi decisivamente na venda e, conseqüentemente, na renda obtida com a venda das drogas. A questão das drogas tomou proporções alarmantes no Brasil com a chegada do crack por volta dos anos 1990. Há vinte anos convivendo com essa droga os números são surpreendentes. Na Bahia, 80% dos homicídios são atribuídos ao crack. O problema é tão grave que alguns estudiosos já consideram o crack não só um problema de segurança como também de saúde pública. O menor T. S. S
relata que começou a usar o crack ainda aos 15. “Tava com uns broder na quebrada aí um tirou esse baguio do bolso, ascendeu e passou pra todo mundo (...) no inicio não queria, mas os cara insistiu e eu fumei. Viajei logo de cara (...) fiquei doidão, mesmo. Muito bom! Mas agora quero parar e não consigo. Não desejo isso pra ninguém”
 O estopim para as criticas generalizadas sobre a falta de segurança em V. da Conquista, também em virtude da repercussão que o caso ganhou na mídia, foi a onda de assassinatos ocorridos em janeiro deste ano. Esses assassinatos teriam sido motivados pela morte de um policial militar, a paisana, que realizava investigação paralela num bairro da cidade. Na ocasião foram mortos cerca de 11 jovens e quatro desapareceram. Mais recentemente um policial militar foi assassinado friamente na frente de sua esposa e de seu filho, de apena cinco anos, num bairro nobre da cidade. Eventos como estes aumentam ainda mais o pânico das pessoas.  Ao mesmo tempo em que vários seguimentos da sociedade conquistense aprovam a medida enérgica da polícia, como no caso da morte do PM que foi morto na frente da família, onde no mesmo dia, a polícia em troca de tiros matou os bandidos, outros repudiam
afirmando que violência só gera mais violência. A morte do policial aconteceu no mesmo dia que acontecia um congresso sobre segurança pública no auditório da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.  A dona de casa Maria dos Santos Hermann falou-nos bastante apreensiva sobre a atual situação da segurança na cidade. “Sinceramente dá muito medo de sair à rua com a cidade da forma que está. A gente fica preocupada com os nossos filhos, com a gente mesma. A gente sai e nem sabe se vai voltar, né? Quando não é isso são os assaltos e os roubos que acontece o tempo todo na cidade. Tá muito difícil mesmo (...) realmente não sei aonde é que isso vai dar. A gente paga nossos impostos e não temos segurança.”
 Segundo o coordenador regional da Polícia Civil, Odilson Pereira Silva, em V. da Conquista e região há 21 delegacias em uma área de atuação de 20 cidades sob seu comando, número que, segundo ele mesmo, compromete e muito a atuação da polícia. O governo do estado, no ano passado, distribui 270 viaturas novas para todas as cidades do estado, entretanto, apenas duas vieram para cidade de Conquista. Uma para a Polícia Civil e outra para a Polícia Militar. Quantidade realmente muito pequena diante dos problemas e do tamanho do município. Em setembro deste ano foram formados 158 novos soldados para policia militar e há a expectativa de novas turmas para o próximo ano. É com mediadas como estas com aumento de policias nas ruas, com combate diário às drogas e o investimento em logística, que o governo do estado pretende resolver o problema de segurança pública na cidade. Em contrapartida, a sociedade conquistense encontra-se no meio de um fogo cruzado sem perspectivas reais de que esses problemas sejam resolvidos a curto prazo, mas mesmo assim,esperançosa e ansiosa por dias melhores.  


Por: Luis Carlos Nonato e Dihêgo Santana



Entrevista com Camilo Aggio.

Revista Época.


Com a vitória de Barack Obama ao cargo de presidência dos Estados Unidos, ficou perceptível ao mundo inteiro o grande poder que a internet possui de mobilizar as pessoas a chegarem a um denominador comum, principalmente em um assunto que causa tantas controvérsias, que é a eleição a um cargo político.

Nesse ano de 2010, com o Brasil em ritmo de eleições e seguindo o sucesso alcançado por Obama, os candidatos aos cargos políticos vêm usando demasiadamente o que os especialistas chamam de redes sociais online, dentre as quais estão o Facebook, My Space, Twitter, onde eles promovem os seus projetos e políticas públicas, o que de certa forma promovem certa proximidade com os seus eleitores.
Com vista nesse fenômeno e percebendo a precariedade nas bibliografias sobre esse assunto no Brasil, Camilo Aggio, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) é, hoje, um especialista em campanhas online  também pela UFBA. 

Leia abaixo os trechos da entrevista concedida aos alunos do curso de Comunicação Social, do 2° semestre, da Universidade do Sudoeste da Bahia - UESB

Luis Pedro- Quais as vantagens e as desvantagens do uso das novas tecnologias da comunicação na campanha eleitoral de 2010?
Camilo Aggio- Bom, eu não consigo enxergar exatamente desvantagens das campanhas online (utilização da internet por partidos e candidatos nas campanhas eleitorais) para sociedade civil, para o cidadão, na medida em que grande parte da utilização que se tem feito de recursos da internet por partidos e candidatos acaba por se promover um maior fluxo de informacional político relevante (projetos, posicionamentos).Não obstante disso também proporciona que os candidatos estejam mais responsáveis, transparentes, e assim estejam mais submetidos  ao crítico ou à critica do eleitor.Por exemplo , em 2008 não possuímos uma legislação virtual que impunha um anacronismo muito grande nas campanhas online do Brasil.Então, até 2008, os candidatos e partidos  só poderiam usar os websites; era vetada a utilização de qualquer outro recurso como por exemplo as redes sociais online como o Facebook, Orkut, Twitter e o MY Space, etc. Então isso impunha aos candidatos uma restrição muito grande no alcance dos eleitores com os quais eles gostariam de se comunicar. Se hoje estamos na internet estamos basicamente nas redes sociais online. Nós somos o país que mais utiliza esse tipo de coisa. Então alguns candidatos têm a possibilidade de chegarem próximos de nós. Nós temos a possibilidade de aceitar e acompanhar esses sujeitos cotidianamente. Enfim, para a sociedade civil vejo pouca desvantagem. Para as campanhas existem algumas desvantagens, em termos estratégicos de propagandas, pois quanto mais transparentes, mais suscetíveis a constrangimentos, a respostas. Então você tem uma situação de muito mais constrangimentos e a possibilidade de eles terem de se posicionar muito mais que seria se eles não tivessem acesso a esses novos meios comunicacionais.

Juraci (portal R7)- Assim como o nosso veículo de informação, o uso das tecnologias também ajuda a política a propagar informações. Apesar disso, o senhor considera que, como a maioria dos que acessam os portais online são jovens, esse público, para a política, segue essa mesma tendência, ou já é algo mais abrangente?
Camilo Aggio- Creio que seja mais abrangente. Não acredito que seja apenas jovem. Não teria uma análise quantitativa para oferecer. As pessoas que acompanham o Twitter e que desenvolvem uma conversação em torno dos temas políticos eleitorais não são apenas jovens. Essas informações se dão de uma maneira muito complexa e espalhada, e não respeita exatamente uma faixa etária restrita.

Murilo (Caros Amigos)- Os partidos políticos tem feito largo uso dessas novas tecnologias em favor das suas campanhas. Desses meios, quais seriam os mais eficazes para alcançar o público e qual vem sido a resposta do público perante as campanhas online?
Camilo Aggio- Por um longo período de tempo nós só tínhamos apenas os WEBSites, como eu tinha dito anteriormente, então nós tínhamos um grande problema, nós tínhamos que usar outros mecanismos e não apenas a internet para atrair a atenção dos eleitores.Eles teriam que entrar no GOOGLE e digitar o nome do candidato e ainda assim rezar para que nas primeiras ocorrências aparecessem seu WebSites oficial. Nós estamos entrando em uma fase aonde nós não vamos mais atrás da informação, nós nos deparamos com ela. Então sem dúvida, o meio mais eficaz para atingir o público são as redes sociais, onde se tem a possibilidade de compartilhar e de propagar de uma maneira impressionante qualquer tipo de informação política e de natureza diversa e inclusive aquelas satíricas, divertidas, cômicas. Por exemplo, eu falava de constrangimentos e de situações não planejadas e o modo como as campanhas teriam que lidar com isso. Se por um lado é muito bom, porque você se aproxima do seu público, tem a possibilidade de estabelecer uma comunicação direta. Por outro lado, você também está sujeito a constrangimentos, por exemplo, um militante ou algum eleitor simplesmente circunstancialmente engajado na campanha do José Serra, criou um headtags “Pergunte ao Serra”, que é uma proposta totalmente legítima. No entanto subestimaram o caráter, a sociabilidade extrovertida do Twitter. As pessoas fazem piadas, brincam. Então o que era para ser um ‘pergunte ao Serra’ para esclarecer dúvidas e solicitar ao Serra esclarecimentos os seus projetos de políticas públicas ou posicionamentos acabou virando uma grande piada. O “Pergunte ao Serra’’ começou a ser disseminado para a utilização de perguntas bobas para ele, como por exemplo: “Serra, par ou ímpar?”, “Serra, quanto você cobra para assombrar uma casa de 6 cômodos?”. Então, as redes sociais é o modo mais eficaz, é que nós estamos chamando de WEB 2.0 , cujo pressuposto é você criar primeiro esse laços que chamamos de redes sociais online , mas também a produção e compartilhamento de conteúdos de um modo dinâmico e efetivo que ninguém controla.


Thais ( Jornal a semana) - A internet é um veiculo cada vez mais utilizado nas campanhas políticas. Qual sua opinião sobre a utilização do Youtube nas campanhas?
Camilo Aggio - Fundamental. Primeiro porque se tem um grande problema, os candidatos não podem produzir demais, porque custa caro e a exemplo de um web site, você teria que atrair o espectador a procurar assistir aquele vídeo, então tem que haver uma predisposição daquela pessoa em querer saber de determinado candidato. Com o youtube isso é muito mais eficaz, porque basta você ter um blog e deixar o link lá para as pessoas poderem conhecer. E não apenas isso, com o barateamento de publicação com essa efetividade, no que diz respeito à quantidade de pessoas que podem assistir a esse vídeo, eles podem traçar de políticas publicas de seus posicionamentos, podem fazer sobre aliados políticos ou determinados grupos como os ambientalistas. Portanto existe uma grande diversidade no que diz respeito ao que você pode produzir a partir do formato áudio visual. Não obstante a forma como os partidos utilizam isso, há a possibilidade de se produzir, sobre determinados assuntos ligados as campanhas, e existe também essa versão extrovertida que poder pegar o que o candidato diz, e colocar em outro contexto.


Katarina -Como é feito o uso de torpedos para promover a figura de um candidato?
Camilo Aggio - Existe ainda pouco registro da utilização desses SMS. Como esse tipo de coisa foi utilizada na campanha do Obama, que é o grande ícone nessa historia? Primeiro eles faziam um evento eleitoral, um comício ou uma reunião de militantes. Os eleitores iam para ouvir o que o candidato tinha a dizer e recebiam um papel com dois números de telefone para os quais eles deveriam enviar uma determinada mensagem. Eles tinham um banco de dados, com números de pessoas que estavam indecisas quanto ao voto, e pediam a essas pessoas que se identificavam com o Obama, para enviar a mensagem para pessoas conhecidas da pessoa.
No Brasil o que acontece é que os partidos acabam mandando e se identificando até. E o nível de rejeição é enorme. Não vejo ainda uma utilização eficaz disso, nem do ponto de vista político nem democrático.

Jobeslane (Jornal à tarde)-Segundo a tendência das eleições de 2008 para presidente nos Estados Unidos, a justiça eleitoral brasileira, permitiu a propaganda política na internet. O que realmente é permitido?
Camilo Aggio -  Tudo é permitido na internet. Há apenas uma pequena restrição que diz respeito a web site que você tem que registrar no TSE, e 48 horas antes das eleições ele deve sair do ar, mas as demais redes sociais, não tem nenhum tipo de legislação, onde tudo é liberado, a não ser é claro, da questão do anonimato, da calúnia. Do candidato se sentir ofendido e assim, ter direito de resposta. A internet é vista como uma espécie de praça publica, onde os sujeitos falam o que acham que devem falar, respeitando a liberdade do outro. Apoiando quem eles quiserem apoiar. Parece-me que eles não podem pedir voto, mas na internet a liberdade é mais absoluta.

Genisvaldo (Jornal Nacional)- Quais os cuidados que se deve ter ao usar essas novas tecnologias da comunicação para divulgar suas propostas?
Camilo Aggio - A internet possibilita que os partidos e os candidatos tenham controle absoluto do tempo e do espaço que utilizam. Então se no horário político se tem um tempo restrito, no caso de Marina, que é de um minuto e pouco, isso é um tempo irrisório para você tratar de propostas, ou de pelo menos você apresentar argumentos razoáveis que sustentem suas propostas. Ela tem um espaço total e absoluto dentro do seu web site, dedicado a oferecer informações. E poderia até, colocar vídeo no youtube para pode complementar aquilo que foi dito no Horário gratuito. Uma estratégia boa para a candidata Marina seria ela ter usado 10 segundos do seu tempo na televisão e chamar o telespectador para acompanhar a continuação daquele vídeo no youtube. Devem tomar todos os cuidados possíveis, com certeza devem ter assessor que o orienta para não cometer nenhuma arbitrariedade.

Carta ao leitor:

Em jornais, livros e revistas, a carta ao leitor quase sempre vem na primeira página, para que o leitor leia essa mensagem antes de começar a leitura do livro, revista, etc. Nos sites, a carta ao leitor, está na primeira página do site. Você entra no site e vê logo um texto com o nome "carta ao leitor".
Exemplo:

                                 Poder real x poder virtual
      O mundo assiste à guerra entre a liberdade e obrigação de informar, do site WikiLeaks, e a força política dos EUA.
      Usando seu poder de ameaça, o governo americano obrigou a Visa, a Mastercard, o PayPal e um banco suíço a cancelar as contas usadas pelo site para receber doações.
      Também fez a Amazon cancelar a hospedagem do site, uma medida inócua, pois foi fácil transferir o site para outros provedores e ainda por cima criar sites-espelhos liberando todo o conteúdo para quem quisesse copiar.
      A briga não é uma coisa pequena. Ao contrário, é um momento marcante na história da humanidade, que talvez só seja entendido como tal depois.
      Trata-se de medir forças entre o poder de um governo e o poder do cidadão virtual.
      De um lado está Julian Assange que, logo depois de divulgar documentos que os EUA escondiam sobre suas atividades ilegais e abusos na guerra do Iraque, foi acusado de assédio sexual e teve sua prisão decretada na Suíça.
      Os documentos mostram milhares de erros, abusos, saques, assassinatos de civis, torturas e crimes cometidos pelo exército americano no Iraque e Afeganistão.
      Não são fofocas nem acusações levianas. Todos os documentos são oficiais, copiados do próprio governo americano por servidores dele e repassados ao WikiLeaks.
      Assange já tinha revelado os crimes dos EUA na base militar de Guantánamo, o que fez a Justiça americana investigar o caso e libertar os que foram presos ilegalmente.
      Da mesma forma, Obama mandou fechar a base, usada para prender suspeitos sem qualquer direito a julgamento e em segredo, absurdo completo que outros países não tiveram coragem de combater nem ao menos criticar.
      A gota d’água que fez os EUA partirem com tudo para cima do site foi a divulgação de 250 mil documentos do governo que revelam a verdadeira opinião que têm sobre os outros países, com críticas e acusações graves tanto a países inimigos como aos parceiros.
      Isso, além de revelações como o financiamento dos cartéis de tráfico da Colômbia ao presidente da Nicarágua, por exemplo. O que está em jogo é o direito da sociedade saber o que os governos fazem em segredo.
      Para mim, a sociedade tem direito de saber tudo o que as pessoas que ela elegeu estão fazendo nos bastidores.
      Cabe ao WikiLeaks divulgar tudo o que descobrir e cabe aos governos impedir que os documentos vazem. Se vazar, é direito do WikiLeaks publicar e nosso direito ler.
      Mas será difícil o site se manter com os EUA fechando todas as maneiras de doar dinheiro para mantê-lo.
      Falta independência e coragem aos bancos, cartões e serviços de intermediário para defender a liberdade.
      Bom, talvez não.
      A repercussão negativa para as empresas que aceitaram as ameaças americanas acabou virando um pouco o jogo.
      Um grupo de hackers de vários países assumiu a defesa do WikiLeaks atacando os sites daquelas empresas que citei, tirando todos do ar.
      A Mastercard e a Visa, dos EUA, enfrentaram hordas de empresários irritados por falta de acesso aos sites para as compras ou recebimentos.
      O PayPal voltou atrás e liberou a conta do WikiLeaks que tinha bloqueado, logo que soube que seu site seria o alvo do próximo ataque.
      Uma petição online em defesa do WikiLeaks conseguiu 600 mil adesões em menos de dois dias e vários governos da Europa, América e Ásia saíram do muro e defenderam o site, inclusive, quem diria, o Lula, que já tentou expulsar um jornalista porque não gostou do que ele escreveu. Progrediu.
      Tentar tirar o WikiLeaks do ar não deu certo, nem vai dar, porque a internet é espalhada e se torna impossível bloquear um site no mundo todo.
      Impedir a divulgação dos documentos também falhou, pois jornais importantes, como Folha de SP, Guardian e New York Times, estão publicando (e olha que só foram mostrados até aqui 5% dos documentos).
      A prisão de Assange por “estupro” que na verdade foi queixa de uma mulher com quem ele transou, por não usar camisinha na hora, também tem efeitos nulos. Ele está preso e o site continua soltando novos documentos todo dia.
      Talvez ele apareça morto na cela, numa simulação de infarto ou de briga com presos, táticas que já foram muito usadas pelos EUA no passado.
      Não acredito que Obama aceite isso, mas a CIA funciona muitas vezes em segredo até para o presidente.



Exemplo de crônica:

Homem que é homem



Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.

HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.

HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.

E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas.

*
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é HQEH. HQEH não pensa muito!


Situação 1


Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o maître está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo para saber. 0 prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um "Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode agüentar. Quando vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio. Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro; b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o gerente e é melhor ele vir sozinho!


Situação 2


Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga — se bem que HQEH não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado — a entrar para um curso de Sensitivação Oriental. Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado. Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você, que, como está um pouco fora de forma, só pode sentar na posição do arbusto despencado pelo vento.

Durante 15 minutos todos devem fechar os olhos, juntar as pontas dos dedos e fazer "rom", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibete, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente. Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos. Não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar as suas orelhas com força para lembrá-lo da dualidade de todas as coisas. Durante o "rom" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece a sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser câimbra. Você: a) finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém; b) finge que não entendeu bem as instruções, engatinha fazendo "rom" até o lado daquela grande loura e, na hora de tocar o seu rosto, erra o alvo e agarra os seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque as suas orelhas; c) diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado.


Situação 3


Você está numa daquelas reuniões em que há lugares de sobra para sentar, mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa. Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode. O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho. Aí o cabeleireiro de cabelo mechado ao seu lado oferece:

— Se quiser usar o meu...

— O seu...?

— Joelho.

— Ah...

— Ele está desocupado.

— Mas eu não o conheço.

— Eu apresento. Este é o meu joelho.

— Não. Eu digo, você...

— Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu estivesse oferecendo a perna toda você ia pedir referências. Ti-au.

Você: a) resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças; b) leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária da civilização; ou c) pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.

Se você escolheu a resposta a para todas as situações, não é um HQEH. Se você escolheu a resposta b, não é um HQEH. E se você escolheu a resposta c, também não é um HQEH. Um HQEH não responde a testes. Um HQEH acha que teste é coisa de veado.

*
Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin. O que seria deste pais se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou Morte", "Independência ou Alternativa Viável, Levando em Consideração Todas as Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José do Patrocínio de colant? 0 Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só? Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e abriam a braguilha. Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na direção que o pau apontasse. Profissão para um HQEH é motorista de caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier, dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam com o radiador. No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou centroavante. Meio-de-campo é coisa de veado. Mulher do amigo de Homem que é Homem é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa, assim, extraconjugal mas assumida, entende? Que isso é papo de mulher pra dar pra todo mundo. HQEH acha que movimento gay é coisa de veado.

HQEH nunca vai a vernissage.

HQEH não está lendo a Marguerite Yourcenar, não leu a Marguerite Yourcenar e não vai ler a Marguerite Yourcenar.

HQEH diz que não tem preconceito mas que se um dia estivesse numa mesma sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.

Coisas que você jamais encontrará em um HQEH: batom neutro para lábios ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito, o telefone do Gabeira, entradas para um espetáculo de mímica.

Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "Ton sur ton", "Vamos ao balé?", "Prove estas cebolinhas".

Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer: "Assumir", "Amei", "Minha porção mulher", "Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em cima do puf".

Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.

HQEH acha que ainda há tempo de salvar o Brasil e já conseguiu a adesão de todos os Homens que são Homens que restam no país para uma campanha de regeneração do macho brasileiro.

Os quatro só não têm se reunido muito seguidamente porque pode parecer coisa de veado.


Texto extraído do livro "As mentiras que os homens contam, Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 89.

Definiçaõ de crônica:

A crônica é o comentário noticioso de fatos, que vive do quotidiano mas não visa a informação. Pode ser uma espécie de narração de acontecimentos, uma apreciação de situações ou, na definição tradicional, assumir-se como relato histórico.
Antigamente, a crônica era um relato histórico ou uma narração de fatos históricos redigida segundo a rodem do tempo (a palavra grega cronos significa tempo; e em latim chronica, diz-se da narrativa de fatos de acordo com o decorrer dos tempos).
A crônica moderna é, muitas vezes, uma apreciação crítica, um comentário ou uma narração de acontecimentos reais ou imaginários, a que se exige oportunidade e caráter pessoal, alterna a subjetividade literária com o relato de fatos.

http://portuguesonline.no.sapo.pt/cronica.htm

Exemplo de Editorial:

A lei de Biossegurança

Comparado com o projeto proibitivo que veio originalmente da Câmara, o novo texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à frente. Dificilmente a Câmara dos Deputados conseguirá aprovar a curto prazo a Lei de Biossegurança que precisa votar por ter sido modificada no Senado. É muito longa a pauta de projetos à espera de apreciação: além de outras importantes leis, há projetos de emendas constitucionais e uma série de medidas provisórias, que trancam a pauta. Mas, com tudo isso, é importante que os deputados tenham consciência da necessidade de conceder aos cientistas brasileiros, o mais rapidamente possível, a liberdade de que eles necessitam para desenvolver pesquisas na área das células-tronco embrionárias. Embora seja este um novo campo de investigação, já está fazendo surgir aplicações práticas concretas, que demonstram seu potencial curativo fantasticamente promissor. Não é por outro motivo que os eleitores da Califórnia aprovaram a emenda 71, que destina US$ 3 bilhões às pesquisas com células-tronco, causa defendida com veemência por seu governador, o mais do que conservador Arnold Schwarzenegger. O caso chama a atenção porque o ex-ator, ao contrário de outros republicanos (como Ron Reagan, cujo pai sofria do mal de Alzheimer), não tem interesse pessoal no desenvolvimento de tratamentos médicos para doenças degenerativas hoje incuráveis. Apenas o convívio com pessoas como o recentemente falecido Christopher Reeve, que ficou tetraplégico após um acidente, ou Michael J. Fox, que sofre do mal de Parkinson, parece ter sido suficiente para convencer Schwarzenegger de que é fundamental apoiar a pesquisa. O projeto que retornou do Senado ainda inclui graves restrições à ciência, como a limitação das pesquisas às células de embriões congelados há pelo menos três anos nas clínicas de fertilização — embriões descartados que, com qualquer tempo de congelamento, vão acabar no lixo. Também algum dia será preciso admitir a clonagem com fins terapêuticos, hoje vedada, e que é particularmente promissora. Ainda assim, comparado com o projeto proibitivo que veio originalmente da Câmara, o novo texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à frente. Merece ser apreciado com rapidez e aprovado pelos deputados. (O Globo, 5/11)


http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=22932

Definição de Editorial:

Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe de redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialidade ou objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam um espaço predeterminado para os editoriais em duas ou mais colunas logo nas primeiras páginas internas. Os boxes (quadros) dos editoriais são normalmente demarcados com uma borda ou tipografia diferente para marcar claramente que aquele texto é opinativo, e não informativo. Editoriais maiores e mais analíticos são chamados de artigos de fundo. O profissional da redaçao encarregado de redigir os editoriais é chamado de  editorialista. Na chamada "grande imprensa", os editoriais são apócrifos — isto é, nunca são assinados por ninguém em particular.A opinião de um veículo, entretanto, não é expressada exclusivamente nos editoriais, mas também na forma como organiza os assuntos publicados, pela qualidade e quantidade que atribui a cada um (no processo de edição jornalistica). Em casos em que as próprias matérias do jornal são imbuídas de uma carga opinativa forte, mas não chegam a ser separados como editoriais, diz-se que é Jornalismo de Opinião.

Exemplo de charge:


http://www.acharge.com.br/index.htm

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Classificação do termo "Charge"

A charge é uma ilustração cômica que satiriza de forma crítica os acontecimentos sociais e políticos. Embora seja importante numa charge o seu conteúdo humorístico, ela é feita ainda à mão para preservar seu valor artístico, podendo ser montada ou retocada por computador. 

Gênero opinativo

O gênero opinativo se divide em 6 formatos:

- Charge
- Editorial
- Carta ao leitor
- Crônica
- Comentarios
- Artigos de Opinião.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ser baiano é...

Ser chamado de preguiçoso pelos paulistas e sentir no tom de voz que eles morrem de inveja porque aqui tudo é mais perto.
Toda hora é cedo. E o trem das 11h00min passa também às 12h30min... de modo que sempre dá pra tomar mais uma .
E se lá é a terra da garoa, aqui é a terra da alegria, do sol, diversão! E eu prefiro aqui! É morrer de rir e fazer resenhas dos gringos tentando imitar as coreografias que fizeram sucesso no nosso verão. Aquelas tentativas bizarras de nos imitar... rsrsrsrs.
Ser baiano é estar prestes a entrar no Bondinho do Pão de Açúcar lá no Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar e ser reconhecido (Vocês são baianos né ??!!).Quem viver lembrará ! Onde estamos fazemos amigos, sabemos conversar, cantar, dançar, curtir, encantar e sorrir. Todas querem o Baiano! Modéstia à parte, somos bons de cama. É soltar um “oxe, oxe” em qualquer lugar e achar massa! É falar “na moral, de fudê, êtaaa, falô, velho de boa, to durmino, buzú, fazeno, Deus é mais!, bora armá os esquema, vixe mainha, painho oh retado, lá ele, vamo pro reggae”. É chamar sua amiga de “piriguete, seu amigo de corno, viado, relento, seu porra”, e eles não se incomodarem. É falar “oh negão chega aí, bora Cumê água, véi!” Ser baiano é marcar um compromisso pra, de hoje a oito. Só baiano mesmo! Ver o Pôr-do-sol do Farol Da Barra, do Humaitá, de Mar Grande. Aahh.de qualquer lugar. Pois aqui o sol se põe inteiro! Em qualquer lugar dá pra vê-lo dormir sobre o mar.
Ser baiano é falar: “ô minha tia, me dê um acarajé aí na moral!”
É ficar “retado” quando falam mal da gente. Ser baiano é ser feliz, estar de bem com a vida, receptivo, disposto a ajudar. É ser honesto e guerreiro, ser amigo, é ter consciência que Deus pegou o melhor das outras partes do mundo, encostou-se ao mar, no lado de umas serras, cortou por uns rios. Misturou tudo. E FEZ ESSE LUGAR ÚNICO CHAMADO BAHIA. “Cá pra nós: o Baiano é Foda !”.


http://br.olhares.com/ademarsantana

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pedofilia: Secretário de Comunicação de Macúbas

O secretário de Comunicação da Prefeitura de Macaúbas, José Gricélio dos Santos, 26 anos, acusado de prática de pedofilia naquele município, e que estava preso desde ontem (4) na delegacia local, foi transferido hoje (5), para a carceragem da Delegacia de Paramirim, distante 100 quilômetros de Macaúbas. Um farto material pornográfico, incluindo cópias de CDs caseiros e fotografias armazenadas no computador de Gricélio, apreendido por policiais civis, será levado a Salvador, na próxima semana para ser periciado no Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Cumprindo mandados de busca e apreensão e de prisão temporária, expedidos pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, a equipe do delegado Jenivaldo Rodrigues Athayde Santos, titular de Macaúbas, esteve na residência do secretário de Comunicação, às 17 horas de ontem, acompanhado dos promotores Gervásio Júnior e Paulo Júnior. Ali encontraram José Gricélio em companhia de uma mulher e de um menino de nove anos de idade.

No local, os policiais e os representantes do Ministério Público também apreenderam DVDs, máquina fotográfica, vídeo-game e gravadores, lacrados pelos policiais, bem como todo o material pornográfico achado no imóvel. Havia ainda na residência de Gricélio, situada no Povoado de Açude, certa quantidade de um produto semelhante a pasta base de cocaína, que também será periciado no DPT.


Segundo o delegado Jenivaldo Rodrigues, José Gricélio dos Santos havia sido denunciado à policia há alguns meses, por crime de pedofilia, tendo como vítimas preferenciais meninos residentes na sede e na zona rural do município. Nove testemunhas, entre elas três adolescentes supostamente molestados pelo pedófilo, já foram ouvidas pelo delegado, que tem 30 dias para concluir o inquérito.

Nascido em São Paulo, José Gricélio dos Santos é radialista, e antes de se estabelecer na cidade baiana de Macaúbas, distante 707 quilômetros de Salvador, comandava um programa radiofônico no município paulista de Osasco. Até a conclusão do inquérito, o acusado permanecerá à disposição da Justiça na Delegacia de Paramirim, no sudoeste baiano.

sábado, 16 de outubro de 2010

Exemplo da entrevista:

Dilma Rousseff é entrevistada pelo Jornal Nacional

Candidata do PT foi a primeira de série com presidenciáveis.
Marina será ouvida na terça; Serra, na quarta-feira.

Do G1, em São Paulo
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, foi entrevistada ao vivo nesta segunda-feira (9) no Jornal Nacional pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. Veja acima a íntegra, em vídeo, da entrevista com Dilma Rousseff. Ela respondeu a perguntas dos entrevistadores durante 12 minutos. Abaixo, leia a transcrição das perguntas e respostas.

William Bonner: O Jornal Nacional dá início nesta segunda-feira a uma série de entrevistas ao vivo com os principais candidatos à Presidência da República. Nós vamos abordar aqui temas polêmicos das candidaturas e também confrontar os candidatos com suas realizações em cargos públicos. É claro que não seria possível esgotar esses temas todos em uma única entrevista, mas nas próximas semanas os candidatos estarão também no Bom Dia Brasil e no Jornal da Globo.
O sorteio realizado com a supervisão de representantes dos partidos determinou que a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja a entrevistada de hoje. Nós agradecemos a presença da candidata. Boa noite, candidata.

Dilma Rousseff: Boa noite.

William Bonner: E informamos também que o tempo de 12 minutos da entrevista começa a contar a partir de agora. Candidata, o seu nome como candidata do PT à Presidência foi indicado diretamente pelo presidente Lula, ele não esconde isso de ninguém. Algumas pessoas criticaram, disseram que foi uma medida autoritária, por não ter ouvido as bases do PT. Por outro lado, a senhora não tem experiência eleitoral nenhuma até este momento. A senhora se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?

Dilma Rousseff: Olha, William, olha, Fátima, eu considero que eu tenho experiência administrativa suficiente. Eu fui secretária municipal da Fazenda, aliás, a primeira secretária municipal da Fazenda de capital. Depois eu fui sucessivamente, por duas vezes, secretária de Energia do Rio Grande do Sul. Assumi o ministério de Minas e Energia, também fui a primeira mulher, e fui coordenadora do governo ao assumir a chefia da Casa Civil, que, como vocês sabem, é o segundo cargo mais importante na hierarquia do governo federal. Então, eu me considero preparada para governar o país. E mais do que isso, eu tenho experiência, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, conheço os problemas do governo brasileiro.

William Bonner:
Mas a sua relação com o presidente Lula, a senhora faz questão de dizer que é muito afinada com ele. Junto a isso, o fato de a senhora não ter experiência e ter tido o nome indicado diretamente por ele, de alguma maneira a senhora acha que isso poderia fazer com que o eleitor a enxergasse ou enxergasse o presidente Lula atualmente como um tutor de seu governo, caso eleita?

Dilma Rousseff: Você sabe, Bonner, o pessoal tem de escolher o que é que eu sou. Uns dizem que eu sou uma mulher forte, outros dizem que eu tenho tutor. Eu quero te dizer o seguinte: a minha relação política com o presidente Lula, eu tenho imenso orgulho dela. Eu participei diretamente com o presidente, fui braço direito e esquerdo dele nesse processo de transformar o Brasil num país diferente, num país que cresce, que distribui renda, em que as pessoas têm a primeira vez, depois de muitos anos, a possibilidade de subir na vida. Então, eu não vejo problema nenhum na minha relação com o presidente Lula. Pelo contrário, eu vejo que até é um fator muito positivo, porque ele é um grande líder, e é reconhecido isso no mundo inteiro.

Fátima Bernardes: A senhora falou de temperamento. Alguns críticos, muitos críticos e alguns até aliados falam que a senhora tem um temperamento difícil. O que a gente espera de um presidente é que ele, entre outras coisas, seja capaz de fazer alianças, de negociar, ter habilidade política para fazer acordos. A senhora de que forma pretende que esse temperamento que dizem ser duro e difícil não interfira no seu governo caso eleita?

Dilma Rousseff: Fátima, estava respondendo justamente isso, eu acho que têm visões construídas a meu respeito. Eu acho que sou uma pessoa firme. Acho que em relação aos problemas do povo brasileiro, eu não vacilo. Acho que o que tem que ser resolvido prontamente, nós temos que fazer um enorme esforço. Eu me considero hoje, até pelo cargo que ocupei, extremamente preparada no sentido do diálogo. Nós, do governo Lula, somos eminentemente um governo do diálogo. Em relação aos movimentos sociais, você nunca vai ver o governo do presidente Lula tratando qualquer movimento social a cassetete. Primeiro nós negociamos, dialogamos. Agora, nós também sabemos fazer valer a nossa autoridade. Nada de ilegalidade nós compactuamos.

Fátima Bernardes: Agora, no caso, por exemplo, a senhora falou de não haver cassetete, mas talvez seja a forma de a senhora se comportar. O próprio presidente Lula, este ano, em discurso durante uma cerimônia de posse de ministros, ele chegou a dizer que achava até natural haver queixas contra a senhora, mas que ele recebeu na sala dele várias pessoas, colegas, ex-ministros, ministros, que iam lá se queixar que a senhora maltratava eles.

Dilma Rousseff: Olha, Fátima, é o seguinte, no papel... Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo é meio como se a gente fosse mãe. Tem uma hora que você tem de cobrar resultado. Quando você cobra resultados, você tem de cobrar o seguinte: olha, é preciso que o Brasil se esforce, principalmente o governo, para que as coisas aconteçam, para que as estradas sejam pavimentadas, para que ocorra saneamento. Então tem uma hora que é que nem... Você imagina lá sua casa, a gente cobra. Agora, tem outra hora que você tem de incentivar, garantir que a pessoa tenha estímulo para fazer.

Fátima Bernardes: Como mãe eu entendo, mas, por exemplo, como presidente não tem uma hora que tem que ter facilidade de negociar, por exemplo, futuramente no Congresso, futuramente com líderes mundiais, ter um jogo de cintura ai?

William Bonner: O presidente falou em maltratar, não é, candidata?

Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou que eu era dura.

William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram maltratadas pela senhora. Mas a gente também não precisa ficar nessa questão até o fim da entrevista, têm outros temas.

Dilma Rousseff: É muito difícil, depois de anos e anos de paralisia, e houve isso no Brasil. O Brasil saiu de uma era de desemprego, desigualdade e estagnação para uma era de prosperidade. Nós tínhamos perdido a cultura do investimento...
William Bonner: Vamos falar de alianças políticas, o que é importante...
Dilma Rousseff: ...e aí houve uma força muito grande da minha parte nesse sentido, de cumprir meta, de fazer com que o governo Lula fosse esse sucesso que eu tenho certeza que ele está sendo.

William Bonner: A senhora tem agora nessa candidatura, além do apoio do presidente, a senhora também tem alianças, né?, formadas para essa sua candidatura. Por exemplo, a do deputado Jader Barbalho, por exemplo, a do senador Renan Calheiros, por exemplo, da família Sarney. A senhora tem o apoio do ex-presidente Fernando Collor. São todas figuras da política brasileira que, ao longo de muitos anos, o PT, o seu partido, criticou severamente. Eram considerados como oligarcas pelo PT. Onde foi que o PT errou, ou melhor, quando foi que ele errou: ele errou quando fez aquelas críticas todas ou está errando agora, quando botou todo mundo debaixo do mesmo guarda-chuva?
Dilma Rousseff:  Eu vou te falar. Eu perguntava outra coisa: onde foi que o PT acertou? O PT acertou quando percebeu que governar um país com a complexidade do Brasil implica necessariamente a sua capacidade de construir uma aliança ampla.
William Bonner: Errou lá atrás?
Dilma Rousseff: Não. Nós não... O PT não tinha experiência de governo, agora tem. Agora... Nós não erramos e vou te explicar em que sentido: não é que nós aderimos ao pensamento de quem quer que seja. O governo Lula tinha uma diretriz: focar na questão social. Fazer com que o país tivesse a seguinte oportunidade: primeiro, um país que era considerado dos mais desiguais do mundo, diminuir em 24 milhões a pobreza. Um país em que as pessoas não subiam na vida elevar para as classes médias 31 milhões de brasileiros. Para fazer isso, quem nos apoia, aceitando os nossos princípios e aceitando as nossas diretrizes de governo, a gente aceita do nosso lado. Não nos termos de quem quer que seja, mas nos termos de um governo que quer levar o Brasil para um outro patamar, para uma outra...
William Bonner: O resumo é: o PT não errou nem naquela ocasião, nem agora.
Dilma Rousseff: Não, eu acho que o PT não tinha tanta experiência, sabe, Bonner, eu reconheço isso. Ninguém pode achar que um partido como o PT, que nunca tinha estado no governo federal, tem, naquele momento, a mesma experiência que tem hoje. Acho que o PT aprendeu muito, mudou, porque a capacidade de mudar é importante.
William Bonner: Vamos lá. Candidata, vamos aproveitar o tempo da melhor maneira. O PT tem hoje já nas costas oito anos de governo. Então é razoável que a gente tente abordar aqui alguma das realizações. Vamos discutir um pouco o desempenho do governo em algumas áreas, começando pela economia. O governo festeja, comemora muito melhoras da área econômica. No entanto, o que a gente observa, é que quando se compara o crescimento do Brasil com países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, e também com aqueles pares dos Brics, os chamados países emergentes, como China, Índia, Rússia, o crescimento do Brasil tem sido sempre menor do que o de todos eles. Por quê?
Dilma Rousseff:  Olha, eu acredito que nós tivemos um processo muito mais duro no Brasil com a crise da dívida e com o governo que nos antecedeu.
William Bonner: Mais duro do que no Uruguai e na Bolívia, candidata?
Dilma Rousseff: Acho que o Uruguai e a Bolívia são países, sem nenhum menosprezo, acho que os países pequenos têm que ser respeitados, do tamanho de alguns estados menores no Brasil. O Brasil é um país de 190 milhões de habitantes. Nós tivemos um processo no Brasil muito duro. Quando chegamos no governo, a inflação estava fora do controle. Nós tínhamos uma dívida com o Fundo Monetário, que vinha aqui e dava toda a receita do que a gente ia fazer.
William Bonner: Correto, candidata. Mas a Rússia. A Rússia também teve dificuldades e é um país enorme...
Dilma Rousseff: Mas, só um pouquinho. Mas o que nós tivemos que fazer, Bonner. Nós tivemos que fazer um esforço muito grande para colocar as finanças no lugar e depois, com estabilidade, crescer. E isso, este ano, a discussão nossa é que estamos entre os países que mais crescem no mundo, estamos com a possibilidade de ter uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto de 7%.
William Bonner: Mas abaixo dos demais.
Dilma Rousseff: Não necessariamente, Bonner. Porque a queda, por exemplo, na Rússia... Sem falar, sem fazer comparações com soberba... Mas a queda da economia russa no ano passado foi terrível.
William Bonner: A senhora, de alguma maneira...
Fátima Bernardes: Vamos falar agora... Só um minutinho.
Dilma Rousseff: Criamos quase 1,7 milhão de empregos no ano da crise.
Fátima Bernardes: Candidata, vamos falar um pouquinho de outro problema, que é o saneamento. Segundo dados do IBGE, o saneamento no Brasil passou de 46,4% para 53,2% no governo Lula, um aumento pequeno, de 1 ponto percentual mais ou menos, ao ano. Por que o resultado fraco numa área que é muito importante para a população?
Dilma Rousseff: Porque nós vamos ter um resultado excepcional a partir dos dados quando for feita a pesquisa em 2010. Talvez, Fátima, uma das áreas em que eu mais me empenhei foi a área de saneamento. Porque o Brasil, só para você ter uma ideia, investia menos de R$ 300 milhões, o governo federal, menos de R$ 300 milhões no Brasil inteiro. Hoje, aqui no Rio, numa favela, aqui, a da Rocinha, em que eu estive hoje, nós investimos mais de R$ 270 milhões.
Fátima Bernardes: Mas, candidata, esses são dados de seis anos. Quer dizer, esse resultado que a senhora está falando... vai aparecer de um ano e meio para cá?
Dilma Rousseff: O que aconteceu. Nós lançamos o Programa de Aceleração do Crescimento, para o caso do saneamento, na metade de 2007. Começou a amadurecer porque o país parou de fazer projetos, prefeitos e governadores. Apresentaram os projetos agora, em torno do início de 2008, e aceleraram. Eu estava vendo recentemente que nós temos hoje uma execução de obras no Brasil inteiro. Aqui, Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Complexo do Alemão. Obras de saneamento, obras de habitação. A Baixada Santista, no Rio, e a Baixada Fluminense aqui no Rio de Janeiro, ela teve um investimento monumental em saneamento.
Fátima Bernardes: A gente gostaria agora que a senhora, em 30 segundos, desse uma mensagem ao eleitor, se despedindo então da sua participação no Jornal Nacional.
Dilma Rousseff: Olha, eu agradeço a vocês dois e quero dizer para o eleitor o seguinte: o meu projeto é dar continuidade ao governo do presidente Lula. Mas não é repetir. É avançar e aprofundar, é basicamente esse olhar social, que tira o Brasil de uma situação de país emergente e leva o nosso país a uma situação de país desenvolvido, com renda, com salário decente, com professores bem pagos e bem treinados. Eu acredito que o Brasil... É a hora e a vez dele. E que nós vamos chegar a uma situação muito diferente, cada vez mais avançada agora no final de 2014, deste governo.
Fátima Bernardes: Muito obrigada, candidata, pela sua participação aqui na bancada do Jornal Nacional.

 http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/08/dilma-rousseff-e-entrevistada-pelo-jornal-nacional.html

Entrevista?

Luiz Beltrão ("A Imprensa Informativa". São Paulo: Folco Masucci) define a entrevista como "a técnica de obter matérias de interesse  jornalístico por meio de perguntas e respostas".
A entrevista é um dos instrumentos de pesquisa do repórter. Com os dados nela obtidos ele pode montar uma reportagem de texto corrido em que as declarações são citadas entre aspas ou pode montar um texto tipo perguntas e respostas, também chamado "pingue-pongue".
Segundo Luiz Amaral ("Técnicas de Jornal e Periódico". Rio: Tempo Brasileiro, 1987) podem-se distinguir dois tipos de entrevista: a de informação ou opinião (quando entrevistamos uma autoridade, um líder ou um especialista) e a de perfil (quando entrevistamos uma personalidade para mostrar como ela vive e não apenas para revelar opiniões ou para dar informações. Em ambos os casos há interesse do leitor e o jornalista será sempre um intermediário representando o seu leitor ( ou receptor ) diante do entrevistado. Na primeira situação, quando se trata de divulgar informações e opiniões, mesmo para produzir uma simples nota, é conveniente e necessário o jornalista repercutir o material com outras fontes envolvidas com o fato, checando a informação.
Fábio Altman ("A Arte da Entrevista:uma antologia de 1823 aos nossos dias". São Paulo: Scritta,1995) diz que "a entrevista é a essência do jornalismo". Segundo Altman, "a entrevista transforma o cidadão comum em líder, dono da palavra, professor, uma pessoa incomum".

Exemplo de reportagem:

Racismo: O caso grave do nosso país continua:
O preconceito oculto
O Brasil prefere o mito da democracia racial
e fecha os olhos para a intolerância


Ana Carvalho e Aziz Filho

Montagem sobre foto de Alex Soletto
o 113 anos sem grilhões, sem as marcas da chibata. Mas em pleno século XXI a sociedade brasileira empurra os negros e seus descendentes – ou seja, 45% da população – para uma realidade muito parecida com a das senzalas. Para camuflar a responsabilidade por ter mantido por três séculos a escravidão e submetido os afro-brasileiros ao trabalho forçado e ao cativeiro, criou-se, respaldada na miscigenação, o mito da democracia racial. Como se vivêssemos num eterno desfile de escola de samba, a igualdade entre brancos, negros, mulatinhos e tantas outras variantes de cor, criadas para não encarar o preconceito, foi pregada como uma realidade capaz de maquiar a exclusão e a intolerância racial no Brasil. Para aqueles que não conseguiam enxergar dentro de casa a desigualdade e a sua
Renato Velasco
Paula e Cláudio Adão estão casados há 23 anos e ainda enfrentam preconceito
profunda dimensão racial, a separação entre o Brasil e a África do Sul do apartheid era de um enorme oceano. Enquanto aqui negros e brancos dividiam o mesmo banco do metrô, na terra de Nelson Mandela insuflavam a segregação com leis abomináveis. Do lado de cá do mapa, lutar contra o apartheid sul-africano se limitava a repudiar o governo branco do continente negro. O regime sucumbiu em 1994, quando Mandela chegou à Presidência. Com o fim da ditadura racial no país africano, ficaram mais claros o racismo, a discriminação e a intolerância em países signatários de acordos de defesa dos direitos humanos. A máscara da hipocrisia começou a cair. O Brasil é um dos mais constrangidos, mas não está só. Em todos os quadrantes do planeta, oprimidos raciais, étnicos, religiosos e sexuais estão pondo a boca no trombone para cobrar atitudes coerentes de quem lutou contra o apartheid, mas mantém no seu quintal desigualdades tão abissais quanto as vividas na África do Sul. A intolerância levou o diplomata brasileiro José Augusto Lindgren, atual cônsul-geral em San Francisco (EUA), a propor à ONU a realização de uma nova discussão sobre o preconceito pós-apartheid. A III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância será realizada em Durban (África do Sul) entre 31 de agosto e 7 de setembro.
Alan Rodrigues
Luiz Antônio: “É preciso reconhecer que existe uma questão racial no Brasil”

Desigualdade – O país de Lindgren, onde o mito da democracia racial foi nocauteado pelas estatísticas, tem contas a prestar. O mercado de trabalho é uma prova do tamanho da desigualdade: os negros ganham, em média, a metade do salário dos brancos. Os relatos e sugestões do Brasil ao mundo pós-apartheid serão definidos em um encontro nacional na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, entre os dias 6 e 8 de julho. Os organizadores dos dois eventos prevêem que o abismo entre negros e brancos concentrará as atenções tanto em Durban quanto no Rio.

 
 

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do Ministério do Planejamento, iniciou, em março, uma de suas pesquisas mais ambiciosas. Sob a coordenação do economista Ricardo Henriques, o instituto quer fazer um diagnóstico da desigualdade racial brasileira em todos os seus aspectos. A pesquisa deve ser concluída no fim de 2002. ISTOÉ teve acesso aos primeiros dados. Os resultados mostram que as leis existentes de nada adiantam. Um trabalhador branco ganha, em média, R$ 573 mensais. O negro, R$ 262. Nos dados do Ipea, o branco passa mais tempo na escola (6,3 anos) do que os negros (4,4 anos). Entre adultos de 25 anos, a situação é a mesma: o negro estuda 6,1 anos e o branco 8,4. O Ipea concluiu também que, se os negros tivessem a mesma escolaridade dos brancos, ainda assim seus rendimentos seriam 30% menores, de R$ 407. A diferença é fruto da discriminação no mercado de trabalho e nesse campo não houve avanços no último século.
Essa fonte e tirada da Revista ON LINe Isto é: veja mais sobre Racismo

Definição de reportagem:

A reportagem é um dos géneros mais nobres em jornalismo. É na reportagem que se evidenciam os grandes jornalistas. Alem disso, a reportagem é o género que permite uma maior criatividade, estado ligada à subjectividade de quem a escreve. No fundo, trata-se do “contar de uma história”, segundo um ângulo escolhido pelo jornalista que a investigou. Feita a investigação, o jornalista parte dos factos e constrói uma história integrando citações dos personagens que nela participam e/ou citações de documentos importantes para a validação e comprovação dos factos apresentados.
Jean-Luc Martin-Lagardette, num livro intitulado “Manual de escrita jornalística: escrevo – informo – convenço”, classifica do seguinte modo a reportagem: “É um género muito apreciado por ser um testemunho directo encenado com arte. Anima-o, dá-lhe cores, relevo, humanidade. Exige tempo e disponibilidade pois é necessário ir ao terreno. Utiliza-se o mais frequentemente possível, nem que seja para dar vida a um acontecimento que, sem isso, permanece baço e impessoal”.
Destas palavras, depreende-se que o jornalista tem de se mexer, tem de ir ao local onde os factos decorreram ou decorrem e tem de captar o que lá se passa, mantendo os cinco sentidos alerta. “O repórter é um olho, um nariz e um ouvido inclinados sobre a caneta”, diz ainda Jean-Luc Martin-Lagardette. Por isso, na escrita, deve ser usado o estilo directo, a maior parte das vezes no tempo presente, havendo referência a episódios concretos, havendo imagens, pormenores e expressões. Tudo isto é contado de acordo com a subjectividade de quem conta. Porém, a narrativa terá de ser objectiva e verídica no que respeita aos factos e aos acontecimentos.
Tal como a entrevista, uma reportagem também deve ser preparada. Até porque, uma boa e grande reportagem envolve investigação, selecção das melhores fontes, leitura de documentos, conversa com os diferentes protagonistas ou personagens envolvidos na história e exige que se capte o ambiente onde decorrem ou decorreram os acontecimentos.
Logo, nos TPC de uma reportagem há a assinalar o seguinte:
  • Investigação
  • Escolha do ângulo/tema
  • Recurso ao centro de documentação/Internet, etc.
  • Exame dos documentos vDefinição de um roteiro com os locais e as pessoas a contactar

Quanto à estrutura ou corpo da reportagem, convém frisar que esta deve ter uma boa abertura. Ou seja, deve começar de um modo que prenda a atenção do leitor. Portanto, compete ao jornalista seleccionar para o início algo que chame de imediato a atenção e que desperte a curiosidade para que o leitor queria ler e perceber o resto da história. É por esta razão que na gíria jornalística o início das reportagem é designado por “ataque”.
Geralmente os estudiosos das Ciências da Comunicação identificam três tipos de reportagem:
  • reportagem de acontecimento (Fact Story)
  • reportagem de acção (Action Story)
  • reportagem de citação (Quote Story)

A estes três modelos, vários autores como Joaquim Letria, no livro “Pequeno breviário Jornalístico: géneros, estilos e técnicas”, acrescentam mais dois sub-tipos: reportagem de prognóstico e de continuidade. São aquelas reportagens que têm a missão de manter vivo um facto relatado ou estabelecem continuidade com outros textos já anteriormente escritos, associados a acontecimentos considerados importantes.
Vejamos agora os vários tipos de reportagem, socorrendo-nos das caracterizações feitas por Joaquim Letria no livro que já indicamos:
“Na reportagem de ‘acontecimento’, o jornalista oferece normalmente uma visão estática dos factos, como uma coisa consumada. Pode dizer-se que escreve de fora do que aconteceu, é um observador que contempla o objecto do seu relato, é particularmente útil na descrição, ou seja, nos casos em que estes se apresentam de modo simultâneo e perfeito, não acompanhando a sua evolução no tempo.
Já a reportagem de ‘acção’ permite ao jornalista oferecer um tipo de relato dinâmico dos factos, seguindo o seu ritmo próprio de evolução, como se em condições porventura reais de vivência do processo de desenvolvimento da linha temporal, modelo recomendado para o exercício da narração, o que explica a sua preponderância na massa de noticiário escrito ou audiovisual.
A reportagem de ‘citação’, ou entrevista, é geralmente entendida como uma forma de entrevista jornalística. Ou seja, uma reportagem em que se alterna a escrita de palavras do seu autor com citações textuais de personagens interrogadas, cabendo as descrições e as narrações ao jornalista autor do texto. Assumem por vezes a forma de relatos na terceira pessoa, intercaladas com citações de frases exactas de interlocutor ou interlocutores do autor.

Independentemente desta caracterização, acontece que, muitas vezes, em histórias mais envolventes e complicadas, é difícil termos apenas um estilo de reportagem. Isto é, a reportagem de citação mistura-se com a de acção e com a de acontecimento. Nessa altura, a melhor estrutura é a que mantém as chamadas “leis da alternância”. Estas permitem construir um texto vivo e com ritmo.
Estas leis resumem-se ao seguinte:
  • alternância de planos (primeiros planos/planos gerais)
  • acções/reflexões
  • descrições/ citações
  • imagens/história
  • discurso directo/discurso indirecto
  • frases curtas/frases mais longas
http://www.cienciaviva.pt/projectos/genoma2003/apoio5.asp