terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Carta ao leitor:

Em jornais, livros e revistas, a carta ao leitor quase sempre vem na primeira página, para que o leitor leia essa mensagem antes de começar a leitura do livro, revista, etc. Nos sites, a carta ao leitor, está na primeira página do site. Você entra no site e vê logo um texto com o nome "carta ao leitor".
Exemplo:

                                 Poder real x poder virtual
      O mundo assiste à guerra entre a liberdade e obrigação de informar, do site WikiLeaks, e a força política dos EUA.
      Usando seu poder de ameaça, o governo americano obrigou a Visa, a Mastercard, o PayPal e um banco suíço a cancelar as contas usadas pelo site para receber doações.
      Também fez a Amazon cancelar a hospedagem do site, uma medida inócua, pois foi fácil transferir o site para outros provedores e ainda por cima criar sites-espelhos liberando todo o conteúdo para quem quisesse copiar.
      A briga não é uma coisa pequena. Ao contrário, é um momento marcante na história da humanidade, que talvez só seja entendido como tal depois.
      Trata-se de medir forças entre o poder de um governo e o poder do cidadão virtual.
      De um lado está Julian Assange que, logo depois de divulgar documentos que os EUA escondiam sobre suas atividades ilegais e abusos na guerra do Iraque, foi acusado de assédio sexual e teve sua prisão decretada na Suíça.
      Os documentos mostram milhares de erros, abusos, saques, assassinatos de civis, torturas e crimes cometidos pelo exército americano no Iraque e Afeganistão.
      Não são fofocas nem acusações levianas. Todos os documentos são oficiais, copiados do próprio governo americano por servidores dele e repassados ao WikiLeaks.
      Assange já tinha revelado os crimes dos EUA na base militar de Guantánamo, o que fez a Justiça americana investigar o caso e libertar os que foram presos ilegalmente.
      Da mesma forma, Obama mandou fechar a base, usada para prender suspeitos sem qualquer direito a julgamento e em segredo, absurdo completo que outros países não tiveram coragem de combater nem ao menos criticar.
      A gota d’água que fez os EUA partirem com tudo para cima do site foi a divulgação de 250 mil documentos do governo que revelam a verdadeira opinião que têm sobre os outros países, com críticas e acusações graves tanto a países inimigos como aos parceiros.
      Isso, além de revelações como o financiamento dos cartéis de tráfico da Colômbia ao presidente da Nicarágua, por exemplo. O que está em jogo é o direito da sociedade saber o que os governos fazem em segredo.
      Para mim, a sociedade tem direito de saber tudo o que as pessoas que ela elegeu estão fazendo nos bastidores.
      Cabe ao WikiLeaks divulgar tudo o que descobrir e cabe aos governos impedir que os documentos vazem. Se vazar, é direito do WikiLeaks publicar e nosso direito ler.
      Mas será difícil o site se manter com os EUA fechando todas as maneiras de doar dinheiro para mantê-lo.
      Falta independência e coragem aos bancos, cartões e serviços de intermediário para defender a liberdade.
      Bom, talvez não.
      A repercussão negativa para as empresas que aceitaram as ameaças americanas acabou virando um pouco o jogo.
      Um grupo de hackers de vários países assumiu a defesa do WikiLeaks atacando os sites daquelas empresas que citei, tirando todos do ar.
      A Mastercard e a Visa, dos EUA, enfrentaram hordas de empresários irritados por falta de acesso aos sites para as compras ou recebimentos.
      O PayPal voltou atrás e liberou a conta do WikiLeaks que tinha bloqueado, logo que soube que seu site seria o alvo do próximo ataque.
      Uma petição online em defesa do WikiLeaks conseguiu 600 mil adesões em menos de dois dias e vários governos da Europa, América e Ásia saíram do muro e defenderam o site, inclusive, quem diria, o Lula, que já tentou expulsar um jornalista porque não gostou do que ele escreveu. Progrediu.
      Tentar tirar o WikiLeaks do ar não deu certo, nem vai dar, porque a internet é espalhada e se torna impossível bloquear um site no mundo todo.
      Impedir a divulgação dos documentos também falhou, pois jornais importantes, como Folha de SP, Guardian e New York Times, estão publicando (e olha que só foram mostrados até aqui 5% dos documentos).
      A prisão de Assange por “estupro” que na verdade foi queixa de uma mulher com quem ele transou, por não usar camisinha na hora, também tem efeitos nulos. Ele está preso e o site continua soltando novos documentos todo dia.
      Talvez ele apareça morto na cela, numa simulação de infarto ou de briga com presos, táticas que já foram muito usadas pelos EUA no passado.
      Não acredito que Obama aceite isso, mas a CIA funciona muitas vezes em segredo até para o presidente.



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