Vitória da Conquista é uma cidade que tem aproximadamente 300 mil habitantes. Como toda cidade de grande e médio porte no Brasil, vive um dilema: a violência. A região de Vitória da conquista lidera um ranking nada agradável: o de campeã em mortes dolosas em todo o estado. Foram aproximadamente 5,5% de todos os casos registrados na Bahia, entre janeiro e maio deste ano. À violência são atribuídos vários fatores como: a falta de oportunidade (agravada por uma educação de baixo nível), ao número reduzido de policiais e a falta de preparo desses policiais e o grande vilão de tudo; as drogas. Muitos jovens sonham com dinheiro fácil e uma vida de “poder” e, recorrem, assim, à vida do crime. Mas no submundo do crime existe uma estrutura hierarquizada e uma grande quantidade de leis a serem seguidas. Existem grupos que comandam determinadas áreas e caso um grupo invada a área do outro é declarado, na maioria dos casos, guerra. A briga pela disputa do ponto de venda é intensa porque isso influi decisivamente na venda e, conseqüentemente, na renda obtida com a venda das drogas. A questão das drogas tomou proporções alarmantes no Brasil com a chegada do crack por volta dos anos 1990. Há vinte anos convivendo com essa droga os números são surpreendentes. Na Bahia, 80% dos homicídios são atribuídos ao crack. O problema é tão grave que alguns estudiosos já consideram o crack não só um problema de segurança como também de saúde pública. O menor T. S. S
relata que começou a usar o crack ainda aos 15. “Tava com uns broder na quebrada aí um tirou esse baguio do bolso, ascendeu e passou pra todo mundo (...) no inicio não queria, mas os cara insistiu e eu fumei. Viajei logo de cara (...) fiquei doidão, mesmo. Muito bom! Mas agora quero parar e não consigo. Não desejo isso pra ninguém”
O estopim para as criticas generalizadas sobre a falta de segurança em V. da Conquista, também em virtude da repercussão que o caso ganhou na mídia, foi a onda de assassinatos ocorridos em janeiro deste ano. Esses assassinatos teriam sido motivados pela morte de um policial militar, a paisana, que realizava investigação paralela num bairro da cidade. Na ocasião foram mortos cerca de 11 jovens e quatro desapareceram. Mais recentemente um policial militar foi assassinado friamente na frente de sua esposa e de seu filho, de apena cinco anos, num bairro nobre da cidade. Eventos como estes aumentam ainda mais o pânico das pessoas. Ao mesmo tempo em que vários seguimentos da sociedade conquistense aprovam a medida enérgica da polícia, como no caso da morte do PM que foi morto na frente da família, onde no mesmo dia, a polícia em troca de tiros matou os bandidos, outros repudiam
afirmando que violência só gera mais violência. A morte do policial aconteceu no mesmo dia que acontecia um congresso sobre segurança pública no auditório da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. A dona de casa Maria dos Santos Hermann falou-nos bastante apreensiva sobre a atual situação da segurança na cidade. “Sinceramente dá muito medo de sair à rua com a cidade da forma que está. A gente fica preocupada com os nossos filhos, com a gente mesma. A gente sai e nem sabe se vai voltar, né? Quando não é isso são os assaltos e os roubos que acontece o tempo todo na cidade. Tá muito difícil mesmo (...) realmente não sei aonde é que isso vai dar. A gente paga nossos impostos e não temos segurança.”
Segundo o coordenador regional da Polícia Civil, Odilson Pereira Silva, em V. da Conquista e região há 21 delegacias em uma área de atuação de 20 cidades sob seu comando, número que, segundo ele mesmo, compromete e muito a atuação da polícia. O governo do estado, no ano passado, distribui 270 viaturas novas para todas as cidades do estado, entretanto, apenas duas vieram para cidade de Conquista. Uma para a Polícia Civil e outra para a Polícia Militar. Quantidade realmente muito pequena diante dos problemas e do tamanho do município. Em setembro deste ano foram formados 158 novos soldados para policia militar e há a expectativa de novas turmas para o próximo ano. É com mediadas como estas com aumento de policias nas ruas, com combate diário às drogas e o investimento em logística, que o governo do estado pretende resolver o problema de segurança pública na cidade. Em contrapartida, a sociedade conquistense encontra-se no meio de um fogo cruzado sem perspectivas reais de que esses problemas sejam resolvidos a curto prazo, mas mesmo assim,esperançosa e ansiosa por dias melhores.
Por: Luis Carlos Nonato e Dihêgo Santana
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